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OUT | 2009
Como investir em hotelaria no Brasil
Postado por admin às 07:55 am
O diretor da HVS São Paulo, uma das mais prestigiadas consultorias hoteleiras do mundo, Diogo Canteras, fez uma análise da conjuntura dos investimentos hoteleiros no Brasil. Esse estudo ficou excelente e foi publicado na Revista Hotéis. Fica aqui um resuminho das principais questões apontadas por Canteras, com metade do tamanho original e ainda assim extenso, com alguns comentários próprios e, obviamente, sem tanta profundidade. O texto completo você encontra nos links deste parágrafo.
Ele começa o artigo no senso comum mas já desenvolve reflexões: o Brasil, como turismo, é uma das melhores apostas mundiais, porém a estrutura hoteleira ainda não está a altura do país. O que leva a um raciocínio lógico - ainda há oportunidade de grandes investimentos se fixarem no país. Para traçar estratégias, no entanto, é necessário entender o mercado hoteleiro nacional, que tem suas especificidades.

O diretor da HVS São Paulo classificou, então, o parque hoteleiro em duas grandes categorias: hotéis urbanos, voltado para business e turismo de lazer local (que depende de cidade para cidade), e resorts, voltado mais para lazer e convenções. Expandindo mais o tema sobre hotéis urbanos, Canteras ressaltou a falta de linhas de crédito compatíveis com a atividade hoteleira, o que me lembrou que, na semana passada, o Ministro do Turismo Luiz Barretto afirmou que seriam estudadas linhas de crédito especiais para a hotelaria se preparar para a Copa de 2014 e para os Jogos Olímpicos. Os eventos se vão e a estrutura fica – e esse é um dos benefícios.
Por consequência disso, praticamente 100% da rede hoteleira brasileira foi financiada com capital próprio, sem dívida. Por isso nos anos 90 houve escassez de hotéis, levando à alta das diárias. Como ele explica mais profundamente, essa lacuna levou as empresas a investirem em condo-hotéis, pelo risco mais baixo. Esse boom, por sua vez, fez com que o Brasil enfrentasse uma das maiores super ofertas de que se tem notícia no mundo.
O mercado vem se recuperando desde 2005, pois a demanda cresce constantemente. A previsão é que voltemos aos mesmos patamares de 90 somente em… 2014, sim, ano de Copa do Mundo no Brasil. Por enquanto, embora o Brasil seja uma aposta mundial no turismo, novos empreendimentos hoteleiros urbanos não são tão lucrativos como no exterior: a receita média por apartamento é menos de metade das observadas na Europa e nos Estados Unidos, enquanto os custos de implantação do empreendimento são os mesmos.

Essa é uma situação que, inevitavelmente, mudará para melhor, pois a demanda cresce. Porto Alegre e Brasília já sentem isso. Diogo Canteras afirma que, no momento, as oportunidades são melhores para investimentos em ativos hoteleiros já existentes. Novos projetos devem ser avaliados para o futuro, quando a recuperação estiver mais evidente. Esse discurso, aliás, está muito bem alinhado com o que diz a ABIH-Nacional sobre a construção de novos hotéis no Rio para os Jogos Olímpicos: é preciso, antes, investir e melhor aproveitar os ativos já existentes, criando mais demanda para depois pensar em novos empreendimentos.
Sobre Resorts, o artigo tomou rumo diferente. Por se concentrar no Nordeste e depender do mercado doméstico, que está no Sudeste, os resorts dependem muito do transporte aéreo, grande encarecedor do produto como um todo. Ele aponta o dólar como grande influenciador do meio, uma vez que, com o dólar mais baixo, os clientes em potencial optam por viagens no exterior e cruzeiros marítimos. Para Diogo, o investimento em resorts “é uma tarefa bastante complexa. Mesmo quando se analisa a compra de empreendimentos já existentes com preços muito abaixo do seu custo de construção, ainda assim se correm riscos grandes. O estudo aprofundado da oportunidade, levando-se em consideração todos os elementos envolvidos é essencial.” Concluiu: como investimento de alto risco, pode levar a grandes perdas, mas também a lucros exorbitantes.

Falando sobre a Copa 2014, o articulista abordou alguns pontos já citados aqui no Blog Conotel. Primeiro, é preciso movimentar mais o turismo, para que haja demanda mesmo após o evento. Segundo, a Copa é uma chance ímpar de alavancar a imagem do Brasil no exterior. Canteras concluiu o texto, então, afirmando que a grande oportunidade está em adquirir ativos hoteleiros existentes: comprar por valor abaixo do cursto de reposição, uma vez que a recuperação do mercado é certa. Deixem os novos projetos de hotéis urbanos para daqui 3 ou 5 anos.